O governo americano suspeita de troca de informações sensíveis, possível coordenação de preços e influência excessiva sobre quanto os pecuaristas recebem pelo boi. As autoridades também citaram plataformas de compartilhamento de dados do setor, como a Agri Stats, que segundo Peter Navarro funcionariam como um sistema que ajuda os concorrentes a enxergarem preços, produção e margens uns dos outros pra alinharem os preços. O Departamento de Justiça já analisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de produtores, processadores e agentes da cadeia.
O caso aparece num momento delicado pros EUA. O rebanho bovino americano tá no menor nível desde 1950, com 86,2 milhões de cabeças, e a carne virou dor de cabeça política no supermercado. Trump quer mostrar serviço em ano de eleição, reduzindo a pressão nos preços e defendendo os pecuaristas locais.
E a pressão não para na investigação. O governo também lançou um programa de recompensa pra denunciantes. Quem entregar informações sobre cartel, fraude ou combinação de preços pode receber de 15% a 30% do valor recuperado em multas, desde que a penalidade passe de US$ 1 milhão.
Nos bastidores, muita gente do setor vê a ofensiva como uma resposta política ao preço da carne nos supermercados americanos. Até porque os frigoríficos também tão levando pancada do boi caro. A JBS teve Ebitda negativo de US$ 319 milhões em 2025 na operação americana, enquanto a National Beef, da MBRF, viu o Ebitda ajustado cair 54%. Ou seja, nessa história, o consumidor reclama do preço, o pecuarista reclama do frigorífico, o frigorífico reclama do boi e o governo entra em campo querendo sair por cima.