Segundo informações do Meteored, alguns modelos climáticos indicam a possibilidade de formação de um “super El Niño” até o fim do ano, embora especialistas apontem que ainda há incertezas sobre a intensidade do evento.
O boletim mais recente da National Oceanic and Atmospheric Administration, divulgado em 6 de abril, indica que o oceano Pacífico equatorial central segue em processo de aquecimento. A região monitorada do fenômeno atingiu níveis de neutralidade, enquanto uma massa de água quente nas camadas subsuperficiais continua se deslocando em direção à superfície.
De acordo com a análise, “uma bolha de água quente nas camadas subsuperficiais continua se propagando em direção à superfície, indicando um oceano cada vez mais favorável ao desenvolvimento do fenômeno El Niño”. Ao mesmo tempo, tem aumentado a circulação de previsões indicando a possibilidade de um evento de grande intensidade. Alguns modelos apontam para aquecimento elevado, incluindo projeções do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, considerado referência pela Meteored.
Mesmo com essas projeções, especialistas afirmam que ainda não é possível confirmar a ocorrência de um super El Niño. Segundo a análise, “para responder a essa pergunta, é fundamental ir além das manchetes e analisar com cuidado tanto as condições atuais do Oceano Pacífico quanto o conjunto mais recente de previsões climáticas”.
Os dados atuais mostram uma transição gradual em direção ao aquecimento. A temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 passou de -0,6°C em 18 de março para -0,2°C em 1º de abril, alcançando o intervalo considerado neutro, entre -0,5°C e +0,5°C.
Outra área de monitoramento, conhecida como região Niño 1+2 e localizada próxima à costa do Peru, atingiu o limiar de El Niño costeiro em fevereiro e permanece nessa condição.
Outro sinal observado vem das águas subsuperficiais do Pacífico. A cerca de 300 metros de profundidade, uma massa de água quente com anomalias entre +0,5°C e +6°C tem avançado em direção à superfície, o que indica condições favoráveis para a configuração do fenômeno.
As previsões probabilísticas também indicam aumento nas chances de formação do evento. No início de março, a probabilidade de El Niño para o trimestre entre maio e julho era estimada em cerca de 45%, enquanto na rodada mais recente esse percentual ultrapassa 70%.
Esse aumento nas projeções reforça a tendência de aquecimento do Pacífico e indica maior confiança dos modelos climáticos na transição de fase do fenômeno.
A intensidade dos eventos de El Niño é classificada com base nas anomalias da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4. Valores de até +0,5°C são considerados fracos, até +1°C moderados, até +1,5°C fortes e acima de +2°C muito fortes. A rodada mais recente do modelo do ECMWF, iniciada em abril, chama atenção por indicar aquecimento mais elevado no segundo semestre do ano.
De acordo com a projeção, parte dos cenários aponta anomalias superiores a +2°C, com alguns resultados próximos ou acima de +3°C por volta de outubro, o que poderia caracterizar um evento classificado como super El Niño.
Nos últimos dias, a possibilidade desse cenário tem sido amplamente divulgada em diferentes portais, muitas vezes associada à possibilidade de um dos eventos mais intensos já registrados. A análise, porém, destaca que interpretações isoladas de modelos podem gerar conclusões precipitadas e ampliar a percepção de risco entre a população.
Uma avaliação mais ampla aparece nas previsões do International Research Institute for Climate and Society, que reúne diferentes modelos climáticos. Nesse conjunto, a média dos modelos dinâmicos indica que o limiar de El Niño deve ser alcançado entre o final do outono e o início do inverno.
A projeção média aponta que a intensidade máxima do fenômeno deve ocorrer durante a primavera, com anomalias próximas de +1,5°C, classificadas entre forte e muito forte.
Esse cenário, entretanto, ainda se mantém distante das projeções mais extremas sugeridas por alguns modelos individuais. A análise também ressalta que a média considerada não inclui as projeções do ECMWF, que indicam aquecimento mais intenso.
Segundo o levantamento, a diferença entre anomalias de +1,5°C e +3°C representa impactos climáticos distintos em diferentes regiões do planeta.
O cenário climático segue em evolução e deverá ser acompanhado nas próximas atualizações dos modelos. A próxima rodada de previsões está prevista para meados de abril e deverá incorporar as condições mais recentes observadas no oceano Pacífico.
Agrolink - Seane Lennon