A próxima safra de soja já tá chegando com cara de boleto parcelado em 12 vezes e juros compostos. Especialistas do mercado projetam que o custo médio nacional da lavoura 2026/2027 pode passar de 50 sacas por hectare, o maior patamar da última década. Segundo a Aegro, a conta pode sair de 46,5 sacas por hectare em 2025/2026 pra cerca de 53 sacas na próxima temporada, e isso sem nem incluir depreciação de máquinas e arrendamento. Ou seja, nem começou o plantio e a conta já pediu arrego.
Na prática, o produtor pode precisar gastar quase 6 sacas a mais por hectare só pra colocar a lavoura de pé. E como no agro o que manda no dinheiro é a produtividade e o custo, essa diferença pesa bastante. A pior relação até agora tinha sido na safra 2023/2024, com 47,2 sacas por hectare.
Os vilões da vez tão bem conhecidos: fertilizantes, defensivos e diesel, o trio parada dura da dor de cabeça rural. Na safra atual, só os insumos já comeram 29 sacas por hectare, com 13,4 sacas pros fertilizantes, 5,1 sacas pras sementes e 10,4 sacas pros defensivos. Pra próxima, os adubos podem adicionar mais 3 a 4 sacas por hectare, enquanto os defensivos podem pesar cerca de 3 sacas extras.
O mundo lá fora também resolveu não colaborar. Os conflitos no Oriente Médio, a pressão sobre nitrogenados, a alta do combustível e os defensivos mais caros na China devem bater direto na porteira brasileira. Como o Brasil importa boa parte desses insumos, qualquer espirro geopolítico vira gripe na fazenda. E pra piorar, a soja não tá subindo no mesmo ritmo, pressionada pelos estoques grandes no Brasil, nos EUA e na Argentina.
Pra atravessar essa safra mais salgada, os especialistas citam hedge, barter e compra mais estratégica de insumos como uma mitigação de danos. Mas cortar custo no agro não é tão simples quanto parece. Semente e defensivo têm pouco espaço pra mexer, e reduzir adubação pode cobrar a conta na produtividade. No fim, a safra 2026/2027 já vem com cara de prova difícil: quem errar manejo, compra ou venda pode descobrir que a soja nasceu bem, mas a margem foi embora antes da colheita.