A partir de 26 de maio de 2026, a NR‑1 passa a exigir que riscos psicossociais façam parte do PGR. E, convenhamos, já era hora. Por décadas, segurança do trabalho foi sinônimo de EPI, máquinas, ruído, produtos químicos. Mas o mundo mudou e o trabalho mudou junto. Hoje, o que mais adoece não é só o que machuca por fora, mas o que corrói por dentro: sobrecarga, metas irreais, assédio, jornadas intermináveis, falta de apoio e ambientes tóxicos. Segundo o INSS, só em 2024 foram 472 mil afastamentos por ansiedade e depressão. Isso não é detalhe. É um alerta. A nova NR‑1 coloca a saúde mental no centro da gestão de riscos. E isso mexe com tudo: cultura, liderança, processos, indicadores e, principalmente, com a forma como enxergamos pessoas. O que essa mudança traz de bom? Reconhecimento oficial de que saúde mental é parte da segurança do trabalho. Redução de afastamentos e custos associados ao adoecimento. Ambientes mais saudáveis, produtivos e humanos. Mais clareza regulatória para empresas que querem fazer o certo. E os desafios? Implementar algo novo sempre exige esforço. Avaliar riscos psicossociais não é tão simples quanto medir decibéis. Lideranças precisam ser preparadas e isso nem sempre acontece. Há custos iniciais, sim, mas o retorno é muito maior. Onde estão as oportunidades? Inovar na gestão de pessoas. Fortalecer a reputação da empresa. Criar programas reais de prevenção, não só documentos. Reduzir passivos trabalhistas e melhorar o clima organizacional. E as ameaças para quem ignorar? Fiscalização mais rigorosa. Risco de judicialização. Denúncias internas. Perda de talentos porque ninguém fica onde adoece. No fim das contas… A inclusão dos riscos psicossociais na NR‑1 não é só uma mudança normativa. É um convite quase uma cobrança para que empresas tratem pessoas como pessoas. E isso não é modismo. É maturidade organizacional. Se a sua empresa ainda não começou a se preparar, o melhor momento é agora. Não só para cumprir a lei, mas para construir ambientes onde as pessoas possam trabalhar sem se quebrar por dentro.
Marcelo Dias, Consultor de Empresas e Gestor de Comunicação. MBA em Gestão Empresarial. Atuou em Multinacional Bristol, Gestão de Comunicação em empresas dos seguintes setores: Moveleiro, Audiovisual, Comunicação Social, Jurídico, Contábil, Alimentos e Bebidas.