O principal corte é pesado: os bancos querem tirar da renegociação as dívidas privadas dos produtores com revendas de insumos, tradings, cooperativas e cerealistas. Eles topam discutir o respiro pro campo, mas não querem transformar o banco em pronto-socorro até do boleto que nasceu fora da agência.
Pela proposta do sistema financeiro, só entram no pacote as CPRs emitidas em favor de bancos e cooperativas, registradas, contratadas até 31/12/2025, inadimplentes a partir de 02/01/2024 e ainda em atraso em 22/05/2026. Também entram regras mais claras pras operações de crédito rural com recursos livres, com a possibilidade do Conselho Monetário Nacional criar uma linha específica pra recompor essas dívidas.
A treta mora aí: o governo não quer enfiar as operações com juros de mercado no guarda-chuva da renegociação, enquanto o setor produtivo lembra que boa parte do Plano Safra já funciona justamente com esse tipo de recurso. É um empurra-empurra em que ninguém quer pagar a conta.
Os bancos também pedem mais liberdade pra negociar garantias, retirada de capital de giro de empresas do agro, limite mais claro sobre quem pode entrar no programa e vínculo direto entre a dívida prorrogada e a atividade que realmente foi afetada. Ou seja, se a quebra foi na soja, nada de usar isso pra pedir alívio em um aviário que passou ileso.
Eles ainda querem evitar a suspensão longa de cobranças, execuções e negativação, porque tão vendo um risco de estimular quem pode pagar a entrar na fila do “depois eu vejo”. Do outro lado, produtores defendem um texto mais amplo, com cerca de R$ 130 bilhões em dívidas, juros de até 7,5% ao ano e mobilização em Brasília pra pressionar pela aprovação.
A disputa agora tá entre 3 pontas tentando puxar o mesmo cobertor. Os produtores querem fôlego pra atravessar o aperto causado por clima, mercado e alavancagem. Os bancos querem segurança jurídica pra não travar o crédito rural da próxima safra. E o governo resiste a um acordo muito largo, de olho no impacto fiscal e no Plano Safra. Davi Alcolumbre (União-AP) deve definir a pauta nesta sexta-feira (5), e o texto pode ir ao plenário na próxima semana.