Tem produtor que parou de pagar a parcela do banco apostando que o perdão das dívidas chega antes do oficial de justiça. E essa aposta já tá secando o caixa, no Sicredi os atrasos dobraram em junho, pularam de 8% para 16% ante abril e maio, com oito em cada dez clientes segurando o pagamento pra tentar entrar na renegociação.
A raiz disso é um projeto de lei, o PL 5.122/2023, parado na Câmara, que promete repactuar as dívidas rurais e, de quebra, travou a cabeça de quem deve. Enquanto Brasília não bate o martelo, a inadimplência sobe de verdade, e as carteiras de crédito do agro saíram de um atraso histórico perto de 3% pra algo perto de 15% nos ciclos recentes, é o que calcula a LEK Consulting.
E não para no boleto, não. É a mesma espera pela renegociação que faz o produtor empurrar a compra de insumo com a barriga, e o fertilizante já tá uns 10 pontos abaixo do ritmo normal pelo índice da Veeries, enquanto a venda de máquina agrícola caiu 18% no primeiro quadrimestre. Pra piorar o clima, a SRB saiu repudiando a nova regra do CMN que deixa a prorrogação no critério do banco, o que, pra entidade, larga o produtor na mão da boa vontade da agência.
No fim, é um nó que aperta antes mesmo de o Plano Safra sair, dinheiro caro, perdão sem data e adubo no aguardo, tudo empurrando pra uma safra 26/27 que pode nascer menor, ainda mais com o El Niño rondando. O governo vai largar a corrida de hoje com esse nó pra desatar.